Tuesday, August 10, 2021

A liberdade, sim, a liberdade!

 Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,

Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote

Da casa do campo da minha velha infância...

Eu bebia e ele chiava,

Eu era fresco e ele era fresco,

E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.

Que é do púcaro e da inocência?

Que é de quem eu deveria ter sido?

E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?


http://arquivopessoa.net/textos/3349

Tuesday, August 03, 2021

Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.

 Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.

Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela. A arte, se nos liberta dos manipansos assentes e obsoletos, também nos liberta das ideias generosas e das preocupações sociais — manipansos também.

s.d.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.

  - 503.
"Fase confessional", segundo António Quadros (org.) in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol II. Fernando Pessoa. Mem Martins: Europa-América, 1986.