Como eu o compreendo… (Ricardo Reis)
A frase “sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo” indica-nos de forma clara parte da filosofia de vida de Ricardo Reis, nomeadamente a procura de uma felicidade relativa, que se encontra na ausência de esforço e na valorização da simples contemplação.
Uma vez que se trata do heterónimo pessoano que mais se da conta da fugacidade da vida e da inevitabilidade da morte, estamos perante alguém que vive tentando iludir o Fado, procurando um estado de ataraxia que lhe permita desfrutar do momento presente (Carpe Diem) de forma calma e tranquila. A procura da ataraxia e da própria apatia está fortemente relacionada com o epicurismo e o estoicismo, que constituem duas referências em que se baseia fortemente para a formulação da sua própria filosofia de vida. Absorvendo de uma a “fuga” às grandes paixões que exigem esforço e provocam dores profundas, e da outra a aceitação voluntária do destino, Ricardo reis permanece aparentemente impávido esperando serenamente a hora da morte, olhando o rio que representa muitas vezes a passagem do tempo sobre a qual não tem qualquer controlo.
É por isso, por ter consciência da sua ausência de controlo sobre a vida e a própria morte, que prefere apenas contemplar o “espectáculo do mundo” que o rodeia, numa atitude de passividade (para não se envolver e evitar dessa forma a dor) com que pretende fingir uma liberdade aparente que lhe permita construir a felicidade relativa que defende por saber ser a única possível, a felicidade que sente no momento presente (pois o futuro só traz preocupações) enquanto se senta à beira do rio com Lídia, ou ainda enquanto rega as suas plantas, ignorando as “sombras alheias” que perturbam a sua existência.
Essa ignorância consciente é mais um subterfúgio encontrado por Ricardo Reis, uma forma de evitar a “visão perturbada de que acima” dele, e dos próprios deuses em que acredita (devido à influência da civilização grega que lhe confere características pagãs), “agem outras presenças” que os compelem, nomeadamente o destino, que é no fundo aquilo que suscita toda a auto-disciplina das filosofias que adopta.
Ana Catarina Silva
Uma vez que se trata do heterónimo pessoano que mais se da conta da fugacidade da vida e da inevitabilidade da morte, estamos perante alguém que vive tentando iludir o Fado, procurando um estado de ataraxia que lhe permita desfrutar do momento presente (Carpe Diem) de forma calma e tranquila. A procura da ataraxia e da própria apatia está fortemente relacionada com o epicurismo e o estoicismo, que constituem duas referências em que se baseia fortemente para a formulação da sua própria filosofia de vida. Absorvendo de uma a “fuga” às grandes paixões que exigem esforço e provocam dores profundas, e da outra a aceitação voluntária do destino, Ricardo reis permanece aparentemente impávido esperando serenamente a hora da morte, olhando o rio que representa muitas vezes a passagem do tempo sobre a qual não tem qualquer controlo.
É por isso, por ter consciência da sua ausência de controlo sobre a vida e a própria morte, que prefere apenas contemplar o “espectáculo do mundo” que o rodeia, numa atitude de passividade (para não se envolver e evitar dessa forma a dor) com que pretende fingir uma liberdade aparente que lhe permita construir a felicidade relativa que defende por saber ser a única possível, a felicidade que sente no momento presente (pois o futuro só traz preocupações) enquanto se senta à beira do rio com Lídia, ou ainda enquanto rega as suas plantas, ignorando as “sombras alheias” que perturbam a sua existência.
Essa ignorância consciente é mais um subterfúgio encontrado por Ricardo Reis, uma forma de evitar a “visão perturbada de que acima” dele, e dos próprios deuses em que acredita (devido à influência da civilização grega que lhe confere características pagãs), “agem outras presenças” que os compelem, nomeadamente o destino, que é no fundo aquilo que suscita toda a auto-disciplina das filosofias que adopta.
Ana Catarina Silva

