(…) Se há uma unidade em Pessoa, esta da busca sempre racional de uma mundividência conscientemente criada a partir das tradições da sua cultura será talvez a única possível. Porque ele não a conseguiu e porque até ao fim da vida duvidou sempre e se sentiu constantemente outro, será difícil, mesmo com o que quer que haja do espólio ainda por ser revelado, conciliar uma unidade assente nos alicerces da filosofia hermética com as afirmações que mesmo na última fase da sua vida continuou ainda a fazer e que revelam que o Fernando Pessoa-plural o acompanhou sempre. (…)
[Encontro Internacional do Centenário de Fernando Pessoa, SEC, 1990, Pessoa e Verdade(s)… ou a Crítica do Abuso de Leituras Herméticas, Onésimo Teotónio Almeida, pág. 200]


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