(...)
Não tenho barco para a outra margem
Nem sei do rio.
Ah!E envelhece já tua imagem
E eu sinto frio.
Não me resigno, não me decido,
Choro, querer...
Sempre eu!Ó sorte, dá-me o olvido
De pertencer!
Enterrei hoje outra vez meu sonho
Amante má.
Tornou-me triste por ser risonho,
E não ser já.
(...)
Não tenho barco para a outra margem
Nem sei do rio.
Ah!E envelhece já tua imagem
E eu sinto frio.
Não me resigno, não me decido,
Choro, querer...
Sempre eu!Ó sorte, dá-me o olvido
De pertencer!
Enterrei hoje outra vez meu sonho
Amante má.
Tornou-me triste por ser risonho,
E não ser já.
(...)
Fernando Pessoa, 22-6-1917


0 Comments:
Post a Comment
<< Home