Sonho..
Uma pessoa que escreveu sobre tudo, escreveu, naturalmente (e bastante) sobre o sonho.
Algumas coisas poderia ter eu escrito, não fosse o facto de não ter naturalmente uma capacidade de escrita a tal ponto elevada. Por isso limito-me a transcrever, o que já é bastante bom, tendo em conta que significa que, pelo menos, tenho acesso à leitura deste tesouro literário da humanidade.
O sonho, quando demasiado vivido, ou familiar, torna-se numa nova realidade; tiraniza como ela; deixa de ser refúgio. Os exércitos sonhados acabam por ser derrotados, como os que baqueiam e se desmoronam nos encontros e batalhas do mundo.
(...)
Repudiei o sonho como um vício de colegial ou de louco. Mas repudiei também a realidade ou, antes, me repudiou ela, não sei porquê - por incompetência, ou por desalento, ou por incompreensão. Não servi para nenhum dos dois modos de gozar - nem para o prazer do real, nem para o prazer do suposto.
Algumas coisas poderia ter eu escrito, não fosse o facto de não ter naturalmente uma capacidade de escrita a tal ponto elevada. Por isso limito-me a transcrever, o que já é bastante bom, tendo em conta que significa que, pelo menos, tenho acesso à leitura deste tesouro literário da humanidade.
O sonho, quando demasiado vivido, ou familiar, torna-se numa nova realidade; tiraniza como ela; deixa de ser refúgio. Os exércitos sonhados acabam por ser derrotados, como os que baqueiam e se desmoronam nos encontros e batalhas do mundo.
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Repudiei o sonho como um vício de colegial ou de louco. Mas repudiei também a realidade ou, antes, me repudiou ela, não sei porquê - por incompetência, ou por desalento, ou por incompreensão. Não servi para nenhum dos dois modos de gozar - nem para o prazer do real, nem para o prazer do suposto.


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